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A história das mulheres na tecnologia

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Nem só de bonecas brincam as garotas. Essa afirmação não é baseada somente em fatos recentes, e isso pode causar uma interrogação inicial, já que atualmente enfrentamos uma série de discussões sobre a igualdade de gêneros e os esteriótipos de “coisas de meninas e coisas de meninos”.

O início da influência das mulheres na tecnologia e no desenvolvimento dos computadores é uma prova de que as mulheres não estão interessadas apenas em brincar de casinha, e pode ser datado entre 1815 e 1852, período em que viveu Ada Augusta Byron King, a Condessa de Lovelace, única filha legítima do famoso poeta Lord Byron.

Conhecida não pelo seu grau de parentesco com Lord Byron, mas pela sua mente matemática brilhante, Ada Lovelace é considerada por muitos a primeira programadora da história da humanidade, pois foi responsável por desenvolver algoritmos que permitiram a máquina do projeto de Babbage computar valores de funções matemáticas complexas.

Seus algoritmos e um conjunto de anotações sobre o funcionamento da máquina, que contava com complexos questionamentos das demais funcionalidades que um computador poderia ter, é considerado o primeiro código de programação feito por uma mulher. Apesar de não estar viva para ver seu algoritmo funcionando, a certeza é que ela fez o que amava fazer e não o que esperavam que ela fizesse.

Sua genialidade matemática foi desenvolvida por estímulo de sua mãe, pois o casamento de seus pais foi muito conturbado, e para que sua filha esquecesse do pai após a separação legítima e não tivesse nenhum traço de sua personalidade, a mãe de Ana Lovelace atraiu sua atenção para os números e para a ciência.

A alemã Grete Hermann que viveu no início do século 19 era filósofa PH.D em matemática e também deixou sua contribuição para a história das ciências da tecnologia. Ela estendeu dramaticamente os estudos de álgebra computacional, o que fez os cálculos matemáticos simbólicos ficarem muito mais simples e de fácil processamento. É claro que eles eram e são essenciais para o funcionamento dos computadores dos dias de hoje.

Outra ilustre figura na história das mulheres na tecnologia foi Grace Murray Hopper, PH.D em Matemática e Física e criadora da linguagem de programação Flow-Matic. Ela defendia que uma linguagem única orientada para negócios deveria ser criada, e fez parte de um dos comitês que criou a chamada COBOL – Common Business Oriented Language, que até hoje também é essencial para muitas empresas por todo o mundo.

Alguns dizem inclusive que Grace foi quem primeiro usou o termo “bug” para um problema no computador. Na ocasião, de fato um inseto atrapalhava o funcionamento de uma máquina que ela estava tentando consertar.

O Museu Nacional da Computação da Inglaterra também valoriza a história das mulheres na tecnologia e por isso possui uma galeria inteira dedicada à elas, as mulheres que contribuíram com o desenvolvimento tecnológico para a humanidade.

A ideia do museu é estimular que mais mulheres se envolvam com os aprimoramentos e avanços tecnológicos, já que um estudo inglês verificou que elas representavam apenas 10% dos alunos inscritos em cursos de tecnologia da informação.

Outras organizações como a Anita Borg Institude e TechGirlz nos Estados Unidos e a Mulheres na Tecnologia aqui no Brasil também visam estimular meninas e mulheres a atuarem nessa área e terem reconhecimento e igualdade de valorização como os homens, pois infelizmente isso ainda acontece até nos dias de hoje, e muitas vezes tem suas origens na infância e na falta de interferência e estímulo dos pais.

Os estigmas dos brinquedos “de meninas” e “de meninos” continuam fazendo parte da nossa sociedade, mesmo depois de muitos avanços e discursos de conscientização sobre igualdade de gêneros. Baseado nisso, consciente ou inconscientemente, escolas continuam oferecendo apenas os cursos extracurriculares básicos limitados à futebol e judô para meninos e ballet e vôlei para meninas, não considerando as preferências das crianças ou ao menos, abrindo a mente para que elas compreendam o universo de possibilidades, como a robótica e a programação, por exemplo.

Quando se pergunta para uma criança qual será a profissão dela, quase sempre também é questionado se ela seguirá a profissão dos pais, carreiras reconhecidamente de sucesso como medicina e direito, e no caso das meninas, qual será entre aquelas que são consideradas femininas, como médico-pediatra, professora, decoradora, psicóloga, farmacêutica, pedagoga e etc.

As feiras de ciências e engenharia, que antes eram dominadas por meninos chamados de “nerd”, hoje ganharam status de grandes acontecimentos nas escolas e estão cada vez mais valorizadas com incentivos governamentais ou de iniciativas privadas.

Mas enquanto na região sudeste do Brasil a proporção de finalistas em feiras como a FEBRACE – Feira Brasileira de Ciências e Engenharia é de 1 menina para cada 1,1 meninos, regiões como o norte possuem uma proporção de 1 menina para cada 2,1 meninos.

Os pais precisam dar força à movimentos e eventos que visam desmistificar as “profissões femininas”, valorizar o conhecimento dos seus filhos não somente escolhendo as melhores escolas, mas também proporcionando experiências diversas às crianças desde o início da infância, como atividades em grupos, relacionadas à música, matemática e aos aspectos humanitários.

E mais outra vez países como a Inglaterra mostraram suas posições visionárias lançando para os pais  de meninas um guia chamado “O futuro da sua Filha” que orienta entre outras coisas como estimular e motivar meninas que demonstrem interesse em se profissionalizar em áreas que ainda são dominadas pela atuação de homens, como a da tecnologia da informação.

Veja algumas orientações do guia, que também podem ser dadas à qualquer criança:

O que sua filha deve escolher para o futuro

Ela pode escolher uma profissão apaixonante ou trabalhar para pagar as contas. Pode querer ter muitos filhos ou nenhum. As escolhas são infinitas por suas combinações, mas para que ela faça a escolha certa, precisa vivenciar ou pelo menos compreender as diversas áreas em que ela pode trabalhar no futuro. Por isso, atividades escolares e extraescolares são importantes, mas principalmente quando elas são diversificadas estrategicamente.

Uma criança pode ter aulas de língua estrangeira e de esporte coletivo, mas nos demais dias, pode fazer atividades de voluntariado, participar de grupos de astronomia, fazer parte dos escoteiros ou de uma equipe de matemática. É importante que ela experimente o máximo possível de estímulos para se identificar com algum deles e descobrir o que a faz feliz e quais são suas habilidades não exploradas em sala de aula tradicional.

Ajude a valorizar as potencialidades da sua filha

O currículo escolar é muito efetivo em oferecer bases sólidas de conhecimento para as etapas seguintes, mas não oferecem um panorama de possibilidades de carreira profissional. Crianças que são boas em matemática não compreendem que suas potencialidades podem ser favoráveis na área da ciência da computação, arquitetura e engenharias, por exemplo.

Outro aspecto desfavorável é que muitas vezes as potencialidades encontradas em uma garota são contrárias às esperadas para a carreira que os pais seguiram ou gostariam que ela seguisse. Se ela demonstra grande facilidade em comunicação pessoal, é organizada e controladora, poderia ser uma boa administradora, mas se existir uma expectativa para que ela seja uma bióloga, então ela entenderá que suas potencialidades não tem valor nenhum. Isso não pode acontecer.

Apresente histórias de sucesso como a importânci das mulheres na tecnologia

As crianças precisam valorizar a contribuição das mulheres para a evolução da humanidade e seu papel nas relações trabalhistas. Citar exemplos como Grete Hermann é motivador, mas apresentar outras mulheres que estão nos mais diversos níveis hierárquicos também é importante, pois elas compreendem que existe um caminho à seguir e que elas não estão apenas em páginas de livros de história.

Em outras palavras, é preciso apresentar novos modelos de sucesso, especialmente em áreas que ainda são de domínio masculino, como as ciências da computação e engenharias. Elas precisam compreender que este espaço também pode ser delas, e precisam se sentir felizes e confortáveis fazendo esta escolha.

Desafie e valorize cada vitória

Valorizar uma vitória significa dar ênfase ao esforço pessoal da sua filha e não a “quebra de paradigmas” da sociedade. Se ela criou um projeto de ciências vitorioso e premiado, é preciso valorizar a dedicação dela ao projeto e a vitória, não o fato de ser um prêmio que “normalmente” é dado à um menino.

Extrapole as possibilidades de conquistar grandes resultados na vida, e não apenas nas escolas. Ofereça desafios domésticos, questione e a faça questionar tudo e a todos. Como reduzir o consumo de água em casa, como economizar nas compras de supermercado, como elaborar uma rotina alimentar mais nutritiva, como consertar o despertador.

São perguntas e questionamentos da rotina, e não da grade curricular da escola, que quando raciocinadas, criam grandes estímulos em áreas diferentes do conhecimento. Elas podem ser um novo despertar.

Em um processo de experimentação podem haver mudanças

Não crie expectativas em relação às escolhas da sua filha, ela pode demonstrar grande interesse por uma atividade e depois descobrir outra melhor. Este processo de experimentação de conhecimentos não é uma definição de carreira profissional, e isso deve estar muito claro para a criança.

Conversar sobre as profissões relacionadas é enriquecedor, mas pedir que ela escolha uma delas e direcione seus esforços para ela é precoce e errado.

Converse sobre os medos e receios que ela possa sentir

Algumas meninas podem ficar inseguras e intimidadas por não escolherem as “aulas femininas” que todos esperam, inclusive suas amigas. Ou ainda podem não querer fazer as “aulas de meninos” porque não terão outras companhias do sexo feminino.

Converse e procure entender suas preocupações. Existem dois conflitos psicológicos possíveis e ela poderá viver um deles.

Se ela escolher sua aula por sua predileção e curiosidade, poderá realmente vivenciar preconceitos. Por isso é importante valorizar a satisfação em estar fazendo algo que gosta e ajudar a valorizar as relações pessoais em outras situações.

Se ela escolher outra aula para se “encaixar” no modelo esperado para ela, poderá se frustrar e ficar desmotivada com uma atividade que não é interessante para ela.

Estimule a autonomia e deixe que ela enfrente problemas

Mesmo que o mundo e as relações pessoais melhorem, não é possível afirmar que ela nunca sofrerá preconceito por ser mulher em sua área de atuação. Sendo assim, permita que ela explore seus limites de forma segura, e deixe que ela se defenda caso se sinta intimidada ou questionada.

Algumas vezes a interferência será necessária, mas faça com que ela participe da resolução e indique o caminho para que ela consiga resolver seus conflitos futuros. Uma mulher inteligente precisa ser forte, pois elas são intimidadoras em seus ambientes de trabalho e colegas inseguros, independente do sexo, podem prejudicar suas carreiras.

Quebre os preconceitos e aprenda com ela outras áreas de atuação

É natural que os pais dominem os conhecimentos da sua área de atuação e desconheçam as demais. Se for este o caso, comprometa-se a buscar informações junto com sua filha. Pesquise novas carreiras que ela tenha curiosidade.

E não use as tendências para determinar a carreira da sua filha. Meninas também são boas em matemática e podem ser engenheiras. Meninas criativas não precisam escolher cursos ligados à área de arte, também podem ser excelentes gerentes de marketing, desenvolvedoras de softwares, arquitetas, fotógrafas e muito mais.

Outros aspectos também contribuem para a escolha e a sugestão de carreiras para as mulheres, como o fato delas engravidarem em um momento da vida. Mesmo que este não seja o pensamento de uma garotinha que queira fazer aulas de programação, as empresas e a sociedade sugerem que elas escolham carreiras que “atrapalham menos” na criação dos filhos, como se esta responsabilidade fosse apenas delas.

As meninas precisam compreender que não existe diferença ou não deve existir diferenças entre os sexos. A história de todas essas mulheres na tecnologia nos mostram suas genialidades, mas também uma luta para poder trabalhar em áreas dominadas por homens.

Também nos mostra que como a mãe de Ada Lovelace, os pais possuem um papel fundamental no incentivo para buscar seus interesses. Se Ada tivesse seguido os costumes de sua época, provavelmente estudaria para ser professora ou uma esposa dedicada. Mas ao invés disso, foi estimulada por sua mãe no que mais a instigava, os números.

Não limite seus esforços para incentivar seus filhos, e não permita que a sociedade imponha limites para os sonhos de sua filha por preconceitos infundados. Ela pode escolher o que quiser na infância, na adolescência e em toda a sua vida, desde que seja seguindo seu coração e sendo feliz.


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