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Games violentos podem induzir comportamento agressivo?

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Desde o surgimento dos videogames, os pais se fazem essa pergunta e nunca tiveram uma resposta definitiva dos pesquisadores. É certo que a preocupação não é infundada, já que 85% dos jogos disponíveis nas prateleiras contêm algum tipo de violência já em seus títulos. Seja Mortal Kombat, God Of War, Battlefield ou Warcraft, uma coisa é certa: tiros, guerra e lutas sangrentas são uma constante no mundo dos videogames. Na verdade, até mesmo o aparentemente inocente Pokémon GO, muito famoso entre as crianças, contêm batalhas com algum grau de violência.

O que dizem as pesquisas?

Alguns dos jogos que mais causam preocupação são os de “tiro em primeira pessoa”, pois neles os jovens podem atirar com armas diretamente do ponto de vista de quem mata, e muito já foi discutido a respeito da influência que esse tipo de jogo pode ter no comportamento na vida real.

Apesar disso, no que condiz aos estudos no campo da psicologia, pouco pode ser descoberto. Em uma pesquisa anunciada em 2016 no The Guardian, foram consideradas entrevistas e análises psicológicas com crianças e adolescentes dos anos 90. Os pesquisadores procuraram associar disfunções comportamentais e depressão à proximidade de jogos violentos, especialmente os famosos jogos de “tiro em primeira pessoa”.

Os resultados não mostraram uma relação evidente entre a proximidade com jogos violentos e comportamento agressivo. Os pesquisadores acusam dificuldades para definirem o tipo de violência nos jogos – a não ser pelo gênero de tiro -, e também que os limites entre essas influências e outras são muito tênues para serem devidamente observadas.

Porém, casos isolados, como o jovem de 18 anos que iniciou um tiroteio em Munique, aumentam a preocupação de pais e autoridades. Apesar de não poderem definir exatamente a causa do atentado, foi divulgado que o jovem em questão era um ávido praticante dos jogos de “tiro em primeira pessoa”.

A despeito desses casos, mesmo com novas ferramentas, as pesquisas continuam a não dar respostas definitivas para o problema. Algumas entidades como a Associação de Psicologia Americana são fortemente contra crianças jogarem videogames violentos. As estimativas são de que 97% dos jovens de 15 a 17 anos jogam videogames, um número exorbitante. Existem muitos estudos que indicam alguma conexão entre comportamento agressivo e jogos violentos, mas alguns cientistas sociais, como Whitney DeCamp, afirmam que o oposto pode ser verdade: que jovens com predisposição à agressividade podem se interessar por jogos violentos.

De qualquer modo, não existe consenso nesse quesito. Será que o que vemos na tela em jogos, em filmes, séries etc, pode realmente influenciar o comportamento? Essa é uma questão filosófica que nos coloca no limite dos efeitos da representação, e mesmo que não seja completamente respondida, deve ser mantida no horizonte das famílias.

Mas como os pais devem agir em relação aos jogos violentos? 

A primeira coisa é se tranquilizar. Se uma informação é constante no mar de pesquisas com resultados ambíguos, é a de que em pouquíssimos casos jovens que apreciam games violentos se tornam delinquentes ou pessoas agressivas. Em alguns casos, os jogos violentos podem se transformar até em uma ferramenta saudável de descarga de energia e agressividade.

Porém, é sempre importante ficar atento e manter um canal aberto de conversa. Se te incomoda ver seu filho ou filha gritando e falando de matar na frente da tela do computador ou da TV, é importante manter a atenção ligada à possíveis mudanças de comportamento mais extremas. É claro que existe uma fase, especialmente na adolescência, em que certa agressividade aparece no comportamento dos jovens, portanto é importante notar os excessos e também se o jovem está demasiadamente viciado em algum jogo particularmente violento.

Conversar é inevitável. Existe todo tipo de jogo e a violência pode ser colocada de formas muito diferentes. Existem jogos nos quais a violência (os tiros ou a guerra) servem como um mecanismo de colaboração, no qual grupos se unem com um intuito. Esse tipo de jogo pode ter efeitos positivos na socialização do jovem e também em seu espírito estratégico. Muitos jogos de tiro em primeira pessoa se configuram desse modo, são amigos que se dividem em grupos e atiram uns nos outros para mais tarde irem ao shopping juntos tomar um sorvete.

Outros jogos podem colocar a violência em um nível de sadismo ou de prática solitária, que pode ter relação com algum quadro depressivo ou mesmo retroalimentar um estado de isolamento. Esses casos pedem atenção dobrada ao tipo de sensação que seu filho ou filha está procurando nesses jogos. O interesse por títulos extremos pode ser uma mensagem, um pedido de ajuda escondido.

É mais simples compreendermos casos isolados do que buscar referência em uma verdade geral sobre os jogos. A verdade é que os jogos violentos são um fenômeno midiático e estão longe de acabar. Mas pare para pensar um pouco nas notícias que viu no jornal essa manhã: no mundo em que vivemos, será que a violência está perto de acabar? Ou será que iremos parar de ouvir falar sobre ela num futuro próximo?

Talvez os jogos sejam uma porta de entrada para você conversar sobre temas muito importantes com seu/sua filho(a)! Que tal começar uma discussão sobre o papel dos jogos no comportamento agressivo?


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