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Jogando e aprendendo: a escola diferentona já é uma realidade!

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A ONG americana Institute of Play foi a precursora do modelo de ensino que muitos até desconfiavam que pudesse funcionar, mas não tiveram coragem de por em prática: uma escola onde os livros são substituídos por jogos de tabuleiros e games.
 
A prefeitura de Nova York, preocupada com os altos índices de jovens americanos que abandonam os estudos todos os anos, procurou uma maneira de virar o jogo (trocadilho intencional) e diminuir esses números.
 
Assim nasceu a Quest to Learn, uma escola pública que hoje já conta com 360 alunos que raramente faltam às aulas, e cujo índice de abandono dos estudos é quase inexistente. Além disso, a escola tem uma equipe de professores completamente envolvidos e apaixonados por exercerem suas funções de maneira tão inovadora (e libertadora!).
 
Os idealizadores da escola acreditam que o aprendizado acontece quando os alunos realizam as tarefas. Algo como se fossem habitantes de uma realidade paralela e super divertida!
 
Ao vivenciar uma experiência de aprendizado, o aluno pode avaliar se está sendo bem sucedido ou fracassando. Aliás, o fracasso é visto como um aspecto integral e necessário no aprendizado, pois nessa metodologia, os alunos ficam motivados a tentar novamente e escolher outro caminho que, dessa vez, os levem ao sucesso!
 
E os pais? Provavelmente os sorrisos de orelha a orelha por testemunharem o súbito interesse escolar dos filhos adolescentes sirvam como resposta a essa pergunta. De fato, os pais são os maiores apoiadores do modelo.
 

Como funciona a Quest to Learn

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A Quest to Learn nada tem dos modelos tradicionais de “escola”. Na verdade, a ideia foi criada do zero, e não de uma adaptação dos modelos que conhecemos.
 
Embora a Quest to Learn seja um sopro de brisa fresca sobre algo desgastado e obsoleto, o elemento novidade ainda não é bem visto em outros locais, o que dificulta a expansão do modelo de ensino.
 
Uma característica que facilita a “aceitação” do modelo escolar da Quest to Learn é o fato de que todo o programa educacional é cumprido. A única diferença é que isso é feito com a ajuda de games e jogos de tabuleiro que ensinam o conteúdo e, de quebra, incentivam alunos e professores, cada um fazendo a sua parte, a atingirem um objetivo em comum. Uma verdadeira lição de trabalho em equipe!
 
É importante compreender que os alunos não ficam só jogando durante todo o período escolar. A escola possui técnicas de ensino avançadas que vão desde a transformação das tradicionais salas de aula em espaços flexíveis ao uso da tecnologia de maneira criativa, bem do jeitinho que a garotada gosta.
 

O ano letivo na Quest to Learn

Está com dificuldades em imaginar como essa metodologia é aplicada em sala de aula? Bom, você não é o único. Afinal de contas, estamos enraizados em uma ideia de escola que mesmo os colégios mais revolucionários e modernos que podemos citar aqui no Brasil, passam longe do conceito da Quest to Learn.
 
O aprendizado com base nos jogos acontece de várias maneiras. Um exemplo que pode ser encontrado no site oficial da escola é o das aulas de biologia para os alunos do 9º ano.
 
O conteúdo programático inteiro da disciplina é abordado com os alunos exercendo o papel de funcionários de uma empresa de biotecnologia ficcional, cujas funções incluem clonar dinossauros e criar ecossistemas estáveis para que eles possam viver. Nessa brincadeira, os alunos aprendem genética, biologia e ecologia.
 
Já os alunos do 6º ano usam Dr. Smallz e desempenham papéis de cientistas, médicos, detetives, entre outros, enquanto exploram a biologia celular e o corpo humano.
 

Enquanto isso no Brasil…

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Uma proposta de mudanças no currículo escolar de todas as escolas brasileiras, conhecido como Base Nacional Comum Curricular, está em consulta pública no site do Ministério da Educação e Cultura até o dia 15 de março.
 
A proposta, até o momento em que escrevo esse texto, conta com quase 11,1 milhões de contribuições, e está deixando historiadores e outros especialistas no assunto de cabelos em pé! Isso porque é exatamente a disciplina de História que vai sofrer as maiores transformações de acordo com esse documento.
 
Boa parte dos pais e mães não ouviu mais falar em Grécia e Roma desde que saiu do colégio. Mesmo assim, até aquele aluno que passava a aula toda enviando bilhetes para os colegas, lembra o quão importante os povos gregos, romanos, egípcios, hebreus, mesopotâmicos, etc, são para o resto do mundo, não é mesmo? Pois bem. Eles vão desaparecer dos nossos livros de história. A Idade Média, o Renascimento e todos os seus desdobramentos também.
 
Esses conteúdos serão substituídos pelos contextos políticos dos índios brasileiros e pela África Subsaariana. Entram também a independência do Haiti e a Revolução Boliviana, entre outros tópicos.
 
Não é pretensão de ninguém tirar a influência que o Brasil teve dos povos indígenas e africanos, mas estudar o berço da democracia certamente contribui para formar a moral dos cidadãos. Substituir um conteúdo em detrimento de outro é bastante questionável (vide o número de “palpites” no documento aberto ao público).
 

Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar

 
Por mais incrível que seja a proposta da escola Quest to Learn, é compreensível que o conceito não seja para todos. A individualidade nos define enquanto seres humanos e cada um tem uma maneira diferente de responder aos vários estímulos recebidos durante a vida escolar.
 
Por outro lado, as mudanças na Base Nacional Comum Curricular podem privar as gerações futuras de terem um conhecimento mais amplo sobre o berço de todas as civilizações, inclusive a nossa. Por isso, é importante participar e agir de maneira a buscar o melhor acesso às informações que nossos filhos possam ter.