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Você sabe o que é Parentalidade Intensiva?

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A jornalista americana e mãe de três filhos, Pamela Druckerman, é autora do best-seller “Crianças Francesas Não Fazem Manha”. Embora natural dos Estados Unidos, Pamela e sua família vivem na França e o livro nasceu das observações em como os pais e mães franceses criam seus filhos.

Pamela esteve aqui no Brasil no ano passado participando como palestrante do Seminário de Mães, realizado em 2015, em Belo Horizonte, MG, com promoção da Revista Pais & Filhos.

Helicopter Parenting ou Parentalidade Intensiva

Em sua palestra Pamela explica que a expressão Helicopter Parenting, que em português recebeu o nome de Parentalidade Intensiva, se refere ao comportamento em que os pais se tornam superprotetores e dedicam todo o seu tempo livre aos seus filhos e, mesmo assim, ainda acreditam não ser o suficiente.

Esse novo estilo de criação dos filhos foi percebido nos anos 90 nos Estados Unidos, em que nas classes médias americanas todo o ambiente doméstico é voltado para atender às necessidades e demandas das crianças.

O que mostram os números

Um estudo sobre a Parentalidade Intensiva indicou que do meio da década de 90 até os dias de hoje, mães com diplomas universitários dedicam 9 horas semanais a mais cuidando de seus filhos.

Essas 9 horas vieram de momentos que deveriam ser dedicados ao relaxamento ou ao de alguma atividade de lazer, porém, essas mães passam boa parte de seu tempo dentro dos carros levando os filhos de uma atividade à outra.

Ainda de acordo com Pamela, outro estudo mostra que as mães casadas passam 20% a mais de seus tempos cuidando dos filhos do que as mães que não trabalhavam em 1965.

O que se pode concluir desses dados é que as mulheres estão tirando tempo dos momentos que deveriam ser para cuidar de seu próprio bem estar – e até mesmo do sono – para cuidar dos filhos.

Apesar de todo tempo “extra” oferecido ao filho, as mães atuais que trabalham gastam mais tempo com eles do que as donas de casa dos anos 60 e, ainda assim, não acham que é o suficiente.

E como fica a vida a dois?

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Pamela explica que, no mesmo período em que a Parentalidade Intensiva crescia, a satisfação matrimonial diminuía.

Pais e mães estão mais infelizes que casais que não têm filhos e, pior, a situação se agrava com a chegada de outro (ou mais) filho.

Foi aí que Pamela percebeu o modo de criação francesa e passou a compreender certas coisas que podem contribuir para a insatisfação matrimonial de muitos pais que são intensivos.

O modelo francês de criação dos filhos

De acordo com as observações de Pamela e de sua própria experiência, pais e mães franceses acreditam que o melhor que se pode fazer para o seu filho é ensiná-lo a lidar com a frustração.

Esta habilidade pode não só ajudá-lo a ter uma infância feliz, mas também é uma ferramenta importante para sua vida adulta.

“Pais franceses passam muito tempo explicando as regras, mesmo para crianças pequenas”, explica a jornalista. Falar em tom calmo e com respeito equivale a um misto de limite e amor que até os bebês que ainda não sabem falar compreendem.

A autora afirma que desde que seu livro foi publicado, várias mães brasileiras entraram em contato com ela para informar que o modelo americano e o brasileiro de criação são bastante parecidos: os dois usam a parentalidade intensiva, ou seja, tudo pelos filhos, o tempo todo.

O pior é que se alguém não age desta maneira, acaba por se sentir culpado e é visto com reprovação pelos outros. Porém, já é possível notar um movimento que questiona se isso é mesmo a melhor atitude para criar um filho.

Obviamente os pais franceses e seus filhos não são perfeitos, mas há um consenso nas mães francesas em que é necessário equilibrar todos os setores de suas vidas: trabalho, maternidade e casamento. O bebê precisa de cuidado integral até certa idade. Depois disso, ele entra na dinâmica da família.

A importância da autoestima da criança

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Pamela afirma que um dos maiores desafios que pais e mães enfrentam é ensinar os filhos a ter autoestima.

As mães francesas, de acordo com a autora, não acreditam que elogiar a criança constantemente contribua para a construção de sua autoestima, muito pelo contrário. O que faz com que uma criança desenvolva sua autoestima é aprender a fazer as coisas sozinhas.

A independência e a autonomia são fatores importantes no modelo de criação francês. É possível ver crianças de apenas quatro anos assando seu primeiro bolo, por exemplo.

Três princípios básicos da educação francesa

Em seu livro, Pamela cita três princípios básicos da educação francesa, que são:

  •  Se comportar na hora das refeições. As mães francesas adotam a postura que a criança não precisa comer tudo, mas elas têm de provar o que está no prato. Principalmente quando sabem que as crianças estão famintas, elas servem os legumes primeiro, antes da carne ou de outro prato principal. Essa é uma ótima dica!

 
  •  Esperar a vez de falar. Pais e mães sabem como isso funciona: basta começarem uma conversa com outro adulto que seus filhos, principalmente os pequenos, os interrompem. Os pais franceses simplesmente alertam, com muita educação, porém com seriedade, seus filhos dizendo: “estou conversando com (fulano). Falo com você em um minuto”. O importante aqui é que os pais franceses também não interrompem a criança. É a criação do respeito mútuo.

 
  •  Parece uma coisa sem importância para outras culturas, mas os pais franceses insistem que seus filhos, desde pequenos, sempre cumprimentem as pessoas com “olá” e um “adeus”. Eles acreditam que essas saudações contribuem para mostras aos seus filhos que as outras pessoas têm necessidades e sentimentos.

Agora é a sua vez! Você se considera um usuário da parentalidade intensiva? Qual é o seu ponto de equilíbrio entra a criação de seu filho e os outros setores de sua vida?